quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Cantores e músicos sim, levitas não



Não sabemos quando começou, no meio cristão, o costume de se chamar cantores e músicos de levitas. Será que esse hábito está correto? Para respondermos a contento esta pergunta, necessitamos de recorrermos às Escrituras.
Primeiramente, quem eram os levitas? Os levitas eram descendentes de Levi – um dos filhos de Jacó (Gn 29.34). Os filhos de Levi eram um clã consagrado a Deus (Nm 3.12, 13) e responsável pelo cuidado do Templo. Eles ensinavam a Torá ao povo de Israel, serviam aos sacerdotes e cuidavam do Templo (Nm 3, 4).
Entre os levitas existiam homens designados para exercerem vários ofícios e atividades específicas no Santuário: eram sacerdotes (Ex 4.14; Nm 3.1-3, 10), porteiros (1 Cr 9.26), cantores (1 Cr 6.31-48), cuidavam dos utensílios sagrados (Nm 3.25-26, 31, 36, 37) e montavam e desmontavam a Tenda da Congregação no deserto (Nm 4). Vale salientar que até a varredura e a limpeza dos átrios do Templo eram de responsabilidade dos levitas, ou seja, eles desenvolviam uma espécie de serviços gerais na Tenda e, posteriormente, nos templos de alvenaria (de Salomão, de Zorobabel e de Herodes).
Corroborando essas verdades sobre os levitas, Souza Filho diz:
Biblicamente não existem equipes de levitas que se dediquem exclusivamente ao louvor da igreja. Os levitas eram uma tribo escolhida por Deus – e Deus tinha duas razões que eram a de compensar os primogênitos mortos no Egito – e deviam se dedicar unicamente ao serviço religioso, que incluía fazer a faxina do tabernáculo, carregar equipamentos, limpar banheiros, fazer o trabalho de açougueiro, cozinhar, lavar louça, e, entre eles, havia músicos que eram convocados para se dedicarem ao louvor contínuo.*
Após essa sucinta introdução acerca desses homens consagrados, compreendemos que é temerário chamarmos cantores e músicos de levitas, pois, dessa forma, estaremos contribuindo para a criação – ainda que informalmente – de uma classe especial de crentes dentro da Igreja de Cristo. Em o Novo Testamento (NT), em nenhuma parte lemos ou percebemos os apóstolos chamando cantores e músicos de levitas. Encontramos, sim, a palavra “levita” em Lucas 10.32 e em Atos 4.36; e “levitas” em João 1.19. Mas todas elas fazem referência aos legítimos filhos de Levi.
Como dito anteriormente, dentre os levitas existiam sacerdotes. Isso significa que, no Antigo Testamento (AT), todos os sacerdotes pertenciam exclusivamente à tribo de Levi. No entanto, quando olhamos para o NT, observaremos a quebra desse paradigma, pois Cristo, através do seu sacrifício expiatório, fez-nos reino sacerdotal: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real” (1 Pe 2.9).
No AT apenas o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos (Lv 16.2). Todavia, Cristo rasgou-nos o véu de divisão do Templo, dando-nos pleno acesso ao Pai Celestial. Somos, agora, sacerdotes e sacerdotisas de Deus:
Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água limpa (Hb 10.19-22).
A bem da verdade, todos os salvos, de certa forma, são “levitas espirituais”- porque são “sacerdotes” de Deus -, e não um grupo seleto que toca instrumentos e canta músicas nas igrejas. Portanto, cantores e músicos cristãos não devem ser chamados de levitas.
NOTA
* SOUZA FILHO, João A. de. O livro de ouro do ministério de louvor. Santa Bárbara d’Oeste, SP: Z3 Editora, 2010, p. 143-144.

Artigo publicado no GOSPEL PRIME.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O que tem a ver o rico com a perdiz?



Vivemos num mundo em que, se alguém tem muitas posses materiais, ele é considerado próspero. Essa visão fundamenta-se numa cosmovisão meramente materialista. Assim sendo, se uma pessoa só procura satisfação em coisas terrenas, logo, para ela, a realidade espiritual não tem importância alguma.
Para os ímpios ambiciosos, o mais importante é terem bens em abundância: dinheiro, veículos, mansões, apartamentos, etc. O resto fica para depois. Nesse caso, o dinheiro, para elas, é o seu deus supremo.
Na Bíblia, encontramos um personagem com essa filosofia de vida. Em Lucas 12.16-20, Jesus narra uma parábola acerca de um homem rico materialista:
O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
Podemos observar nesse homem uma acentuada preocupação com o crescimento material. Em nenhum momento de sua prosperidade ele faz menção de Deus, apesar de o Senhor ter mandado chuvas para a sua plantação e ter-lhe permitido uma boa colheita (Mateus 5.45). O texto sagrado diz que sua produção e seu granjeio foram violentos: “O campo (…) produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?”.
Todavia, o Senhor fez-lhe uma reprimenda, chamando-lhe de “louco” (v. 20). Isso mesmo, todos aqueles que priorizam as riquezas são “sem juízo” diante de Deus.
Biblicamente, entendemos que os tesouros dos ímpios servem-lhe de verdadeiras armadilhas. Na verdade, os impiedosos são como a perdiz: “Como a perdiz que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias, as deixará e no seu fim será insensato” (Jeremias 17.11).
Mas alguém pode indagar: “E se o ímpio morrer cheio de riquezas?”. O apóstolo Paulo responde: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele” (1 Timóteo 6.7). Consequentemente, restará ao ímpio tão somente o caixão de defunto e o túmulo sombrio. Dali para a frente, o caso é eternamente funesto.
Artigo publicado no GOSPEL PRIME.

domingo, 2 de outubro de 2016

Quem você elegerá por estes dias?

Por Herenilton Julião



“Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao Senhor. E disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles. Conforme a todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egito até ao dia de hoje, a mim me deixaram, e a outros deuses.”
(1Samuel 16.6,7)

Diante do atual clima de disputa eleitoral em todo o Brasil neste mês de outubro, vejo uma boa oportunidade de falar de uma escolha pessoal. Escolha esta que determina como se encaminhará nossa vida daqui pra frente. A questão que gostaria de deixar para reflexão no presente post é: Quem está no controle do nosso viver é um “EU” antropocêntrico ou a pessoa bendita de Jesus?

Há algumas aplicações espirituais nas passagens que narram a eleição de Saul pelo povo hebreu (1 Samuel 8-12). A eleição desse rei representou uma mudança de paradigmas. Foi a saída do regime tribal para a monarquia e um aparente avanço para o regime político e social de Israel. No entanto toda a tomada de decisão dos “cabeças” contava com a desaprovação divina (1 Samuel 12.12-19). Ou seja, temos de um lado o regime teocêntrico e do outro o regime antropocêntrico, representado por Saul.

O povo desejava muito ter um líder visível. Deus o concedeu, no entanto advertiu-os através de Samuel que a servidão dos homens significaria um jugo pesado (1 Samuel 8.10-18). Mas como convencer do contrário um coração obstinado que já se decidiu em seguir o seu próprio pensamento? Isso é um questionamento para o acontecimento histórico, mas poderia facilmente aplicá-la ou até mesmo reformulá-la para o tempo presente. Ao invés disso, poderia dizer: Como convencer uma geração tão aculturada em aparência exterior a investir em valores espirituais e eternos?

A bem da verdade, vivemos dias em que o aparente tem dominado por completo muitas vidas. E muitos viram escravos da moda, obcecados em ter o corpo perfeito, na popularidade, na fama... Todavia, a Palavra Deus nos fala fortemente que as coisas mais importantes não se podem ver, que são eternas, (1Cor 4.18) e também nos ensinam a viver pela fé e não por vista (1 Cor 5.17).

O povo desejava ser como as demais nações (1Sam 8.20). A transição para a monarquia não só representava uma mudança interna; era um meio para se igualar as nações vizinhas e pecadoras. Em sentido espiritual podemos dizer que é perigoso quando uma pessoa crente tenta se igualar ao mundo (entenda-se com isso o sistema pecaminoso regido por Satanás). As más influências do mundo conduzem a grandes abismos, como vícios e prostituição e, por fim, a perdição eterna (Rom 8.6).

Por fim, amados, gostaria de lembrá-los que só existem duas opções a nossa disposição: ou fazemos a vontade da carne ou fazemos a vontade do Espírito (Gl 5.17). Sem votos em branco ou nulo. A escolha é toda sua. A responsabilidade também.