segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Metamorfose ambulante: a espiral dos pensamentos voláteis

Por João Paulo Souza



Certa vez, durante uma viagem de ônibus, ao regressar de certo lugar para a minha casa, observei num dos braços de uma jovem uma frase emblemática. Estava escrito: “Metamorfose ambulante”. Neste instante, pensei: “Será que vale a pena alguém abraçar uma ideia desta e caminhar errantemente pelos desertos tenebrosos do relativismo de nossos dias?”.

No âmbito da biologia, a palavra “metamorfose” exprime a “transformação, geralmente rápida e intensa, que ocorre na forma, na estrutura e nos hábitos de certos animais durante seu ciclo de vida”[1]. Em sentido figurado, no tocante aos seres humanos, podemos descrever o processo metamórfico como as transformações céleres e violentas na aparência, no comportamento, nos costumes, no caráter, no pensamento, nas crenças etc.

Por sua vez, o termo “ambulante” denota aquele ou o “que se locomove, anda ou está em posição de andamento”[2]. Outra acepção: “Que não é fixo ou não tem lugar fixo”[3]. Filosoficamente, não era assim que pensavam os epicureus e estoicos, quando contendiam com Paulo (At 17.18)? Esses atenienses eram verdadeiros ambulantes no campo da filosofia e exagerados no tato com as religiões (At 17.22-23). A sociedade na qual estamos não representa, em certos sentidos, os deslocamentos ideológicos e religiosos desses homens?

Quando articulamos os vocábulos “metamorfose” com “ambulante”, a ideia que nos vem à baila é a de algo que está, ao mesmo tempo, transformando-se e movimentando-se. Eis uma imagem fiel e descritiva da sociedade hodierna, que tem como paradigma a prática e a defesa da postura politicamente correta.

Por isso, ao compreendermos esses dois conceitos, chegamos à conclusão de que a sociedade do “pensamento politicamente correto” não encontra – e nunca encontrará! – apoio no Deus das verdades absolutas. Isso porque a fé cristã é fundamentada em verdades imutáveis (Is 40.8), e o Deus da Palavra, bem como a Palavra de Deus jamais cederá aos caprichos do relativismo propalado em nossos tempos. Pensamentos libertinos e opiniões contraditórias não têm lugar na congregação dos justos.

Embora as Escrituras digam que Deus é amor (1 Jo 4.8), Elas também dizem que Ele é justiça, e “sente indignação todos os dias” (Sl 7.11). Por conseguinte, essas verdades indeléveis apontam para o caráter íntegro do Senhor, que, mesmo sendo cheio de amor, não deixa impune as pessoas que praticam o pecado de forma deliberada.

Quanto ao trato com essa sociedade contaminada por valores morais sórdidos e transitórios, encontramos um bom conselho da parte de Deus: “Retirai-vos do meio deles [dessa sociedade podre], separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (2 Co 6.17-18, grifo nosso). “Retirar-se do meio deles” não significa que devemos nos isolar dos pecadores. Porém, cabe-nos tão somente reprovar as más obras deles e, por meio das boas obras, iluminá-los com a luz de Cristo: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso pai que está nos céus” (Mt 5.16).

O Areópago dos tempos de Paulo pode representar muito bem os núcleos metamórficos de onde são produzidos sofismas contra a Igreja (At 17.22). Em Atenas, ficava este tribunal, que era responsável pela criação e funcionamento das “leis, religião e educação”[4] gregas. Em nosso país, temos também uma espécie de “areópago” sofisticado, que faz leis anticristãs, defende deuses estranhos e fomenta ensinos descaradamente contrários ao que o Santo Livro ensina, especialmente na educação básica e no ensino superior.

Este mundo “areopagita” não comunga a fé dos verdadeiros cristãos. Ele é inconstante. É profano. É uma metamorfose ambulante. Na verdade, ele odeia os cristãos autênticos, porque nele não há verdades absolutas. O próprio Jesus alertou os seus discípulos quanto a isso: “Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou” (Jo 17.14). Este versículo revela-nos que o ódio do mundo contra nós é porque guardamos a inamovível Palavra de Deus (Tg 1.22).
Portanto, “não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.2). Não coadunemos com essa metamorfose ambulante!

Não cedamos à espiral dos pensamentos voláteis. Não coadunemos com essa metamorfose ambulante!
Notas:
[1] “Metamorfose.”. Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Disponível em: . Acesso em: 19/08/16.
[2] “Ambulante.”. Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Disponível em: . Acesso em: 19/08/16.
[3] “Ambulante.”. Dicionário Online Caldas Aulete. Disponível em: . Acesso em: 19/08/16.
[4] Bíblia de Estudo Almeida. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013, p. 1504.

Artigo publicado no GOSPEL PRIME.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Para os meninos e meninas espirituais de plantão


Por João Paulo Souza


Uma característica essencial das "crianças espirituais" é que ainda não podem se alimentar de alimento sólido, pois o leitinho espiritual de Deus lhes bastam.

Tem gente que pensa que tempo de crente a faz um gigante espiritual. Querido (a), tempo de vida em Cristo não é sinônimo de maturidade espiritual. NÃO SE ENGANE! NÃO SEJA ENFATUADO (A)!


Portanto, meninos e meninas de plantão, deixem de ser preguiçosos ou negligentes. Leiam as Escrituras diariamente e se permitam serem moldados pelo Espírito Santo do Senhor Jesus Cristo, para que o crescimento de vocês seja saudável:

"Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido" (Hebreus 5.12).

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A Bíblia condena o vício da pornografia?

Por João Paulo Souza

No último artigo que escrevemos falamos um pouco sobre a pornografia a partir da ótica científica. Desta feita, iremos abordá-la sob a tutela das Escrituras Sagradas. À vista desta abordagem, a Bíblia, de fato, condena a pornografia?
Ao folhearmos todas as páginas da Bíblia, não encontraremos a palavra “pornografia”. Entretanto, esta ausência vocabular não significa que as Escrituras não tratem do assunto. Pelo contrário, existe um termo grego chamadoporneia[1], que é traduzido em língua portuguesa pela palavra prostituição (Gl 5.19). Porneia abrange toda e qualquer prática sexual.
Como esposado pelo título deste artigo, geralmente o consumo de pornografia vem acompanhado pelo vício. E o que é vício? É a “dependência física e/ou psicológica de determinada substância ou prática”[2]. Dessa forma, o consumo excessivo e incontrolável de material pornográfico configura-se um vício, que, por seu turno, é condenado biblicamente: “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça?” (Rm 6.16, ARA[3] ).
Em 1 Coríntios 6.12, o apóstolo Paulo diz: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. Trocando em miúdos, o doutor dos gentios quis dizer que, quando aceitamos Cristo como nosso Senhor e Salvador, somos libertados das amarras do pecado, ou seja, temos plena liberdade de escolha. Realidade esta que um viciado em pornografia não desfruta, porque está dominado, vencido pelos desejos desenfreados da natureza pecaminosa que nele habita (Gl 5.19).
É importante também compreendermos que o pecado não está apenas no vício em si, mas também no próprio consumo de porneia. Como dito acima, esta expressão grega abrange toda e qualquer prática sexual. E o mundo da pornografia é recheado de práticas sexualmente abomináveis diante de Deus: incesto (Lv 18.6), fornicação (Dt 22.20-21; 1 Ts 4.3-5), pedofilia (Rm 1.31; 2 Tm 3.1-3), prostituição (1 Reis 15.12; Gl 5.19), adultério (Mt 5.27-28), bestialismo (Lv 18.23), homossexualismo (Lv 18.22; Rm 1.26-27), bigamia e poligamia (Lv 18.18), orgia (Rm 13.13; 1 Pe 4.3). Certamente, além dessas, existem outras práticas pervertidas.
Portanto, as evidências bíblicas são claras em relação ao vício em pornografia. O Livro Santo condena veementemente toda e qualquer prática sexual que não seja dentro do casamento entre um homem e uma mulher: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros” (Hb 13.4).
Concluindo, faço minhas as palavras do rei Davi: “Não porei coisa má diante dos meus olhos; aborreço as ações daqueles que se desviam; nada se me pegará” (Sl 101.3, ARC[4]).
Notas


[1] Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. 2ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p. 2366.
[2] “Vício.”. Dicionário Online Caldas Aulete. Disponível em: <http://www.aulete.com.br/v%C3%ADcio>. Acesso em: 17/08/16.
[3] Almeida Revista e Atualizada
[4] Almeida Revista e Corrigida

Artigo publicado no GOSPEL PRIME.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Criança de 4 anos mudará de sexo na Austrália, com apoio do governo

Por Jarbas Aragão

Uma criança de quatro anos de idade começou o processo de “transição” para mudar de sexo na Austrália. Ela se tonou o símbolo de uma ampla discussão no país sobre até que ponto os pais devem interferir nas escolhas de crianças que ainda estão no jardim de infância.
Existe um crescimento assustador no número de menores de idade que buscam apoio para lidar com questões de sexualidade nas escolas de ensino primário australianas. No hospital onde esse caso é tratado, há 250 crianças sendo assistidas pela “unidade de disforia de gênero”. A mais nova tem apenas três anos.
Nos últimos anos os encaminhamentos para serviços que cuidam de questões de gênero triplicaram, e estão “aumentando rapidamente”, segundo o jornal Daily Telegraph.
O diagnóstico preliminar da maioria é “disforia de gênero”, um desconforto com o sexo do nascimento e um sentimento de inadequação no papel social deste gênero. Para que a criança seja atendida, é necessária uma decisão dos pais, já que a legislação do país só autoriza a mudança de sexo a partir dos 18 anos.
No início de 2015, uma menina de 9 anos obteve autorização legal, quando até então apenas adolescentes tinham obtido permissão. O caso da criança de 4, que não teve nem o nome nem o sexo revelado, já está gerando uma onda de pedidos para que a legislação seja revista.
Muitos psicólogos questionam se não é muito cedo para alguém iniciar a “transição”, que inclui acompanhamento psicológico e tratamento hormonal. Essa é a primeira polêmica do programa de governo “Escolas Seguras”, que serviria, entre outras coisas, para combater o preconceito e promover a inclusão.
Gregory Prior, vice-secretário de operações escolares do Departamento de Educação, explica que a escola usou recursos do programa público para ajudar os professores a acompanhar a criança. Ele confirmou que a decisão foi tomada por que a criança “se identificou como transgênero”. Ou seja, todo o processo está sendo supervisionado e, de certa forma, promovida pelo governo.

A coisa certa?

Catherine McGregor, conhecida advogada de causas LGBT no país, afirmou que as crianças “tendem a fazer a coisa certa quando sentem que estão no corpo errado”. Ao mesmo tempo, diz que é preciso haver controles adequados para assegurar que não ocorram erros prematuros. “Penso que 4 [anos] é muito cedo para qualquer apoio oficial”, resumiu.
O renomado psicólogo infantil Michael Carr-Gregg confirmou que existe 250 crianças sendo assistidas na unidade que trata da disforia de gênero no Hospital Infantil Royal, em Melbourne. Uma década atrás, havia apenas uma criança pedindo ajuda, compara.
Segundo ele, “pesquisas indicam que 2,7% das crianças se enquadram nesta categoria”. Assegura que a tendência é elas sofrerem bullying constante na infância, sendo que muitas cometem suicídio durante a adolescência pois foram “forçadas a viver desse jeito, em negação”.
Curiosamente, a única igreja a se pronunciar sobre o caso até agora foi a Comunidade de Cristo Porta Aberta, em Cranebrook. A pastora Susan Palmer, que é lésbica e lidera a congregação voltada para a comunidade LGBT, declarou não ver problema que a criança receba acompanhamento logo que a questão seja detectada.
“A maioria dos meus conhecidos que fizeram a transição sabiam desde muito cedo que algo não estava bem, como se a mente e o corpo não estivessem em sintonia”, sublinhou.
“Uma criança é fortemente influenciada por seus cuidadores e sei que os pais podem ficar excessivamente preocupados. Eles realmente podem coagir ou influenciar as crianças quando tudo que elas estão fazendo é apenas explorar algo que não está indo na direção que eles realmente gostariam.”Com informações Daily Mail.
FONTE: GOSPEL PRIME