quarta-feira, 27 de abril de 2016

Poligamia e casamento misto: os dois grandes erros de Salomão

Por João Paulo Souza


Quando lemos sobre o início do reinado de Salomão, ficamos fascinados com a sua humildade e total dependência de Deus. Esse rei fez uma oração ao Senhor digna de ser imitada pelo mais piedoso cristão. Disse Salomão: "Dá, pois, ao teu servo um coração cheio de discernimento para governar o teu povo e capaz de distinguir entre o bem e o mal. Pois, quem pode governar este teu grande povo? (1 Reis 3.9).

As Escrituras dizem que "Deus deu a Salomão sabedoria, discernimento extraordinário e uma abrangência de conhecimento tão imensurável quanto a areia do mar (1 Reis 4.29). Ninguém era tão sábio quanto Salomão. Entretanto, o Livro Sagrado relata uma história em que o sucessor de Davi sucumbiu diante da idolatria.

Às vezes, peguei-me perguntando acerca da queda vergonhosa de Salomão. O que o levou a desobedecer a Deus, se ele possuía uma sabedoria extraordinária? A reposta é: "O rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras" (1 Reis 11.1). 

O primeiro erro de Salomão mostra-se em ter ele amado muitas mulheres, porque, no início da Criação, o Senhor criou e formou um casal, um homem e uma mulher (Gênesis 1.27). Porém, alguém pode argumentar que Abraão, Jacó, Elcana, e tantos outros, tiveram várias mulheres. Todavia, recomendo a análise da vida amorosa desses homens, observando se eles foram felizes agindo assim. A poligamia não encontra apoio diante de Deus: "Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne" (Gênesis 2.24). 

O segundo erro grosseiro do filho de Davi com Bate-Seba foi o casamento misto, ou seja, a união dele com mulheres pagãs. Este equívoco foi tão grave quanto o primeiro. O que Salomão fez resultou em desgraça, a ponto de levá-lo a se desviar da vontade divina, pois diz-nos as Escrituras que, 

"À medida que Salomão foi envelhecendo, suas mulheres [setecentas mulheres e trezentas concubinas!] o induziram a voltar-se para outros deuses, e o seu coração já não era totalmente dedicado ao SENHOR, o seu Deus, como fora o coração do seu pai Davi" (1 Reis 11.4, grifo nosso).

A cegueira espiritual do terceiro rei de Israel levou-o a curvar-se diante de vários deuses, dentre os quais figuravam Astarote, Moloque e Camos (1 Reis 11.5, 7-8). Astarote era "a deusa [sidônia] do poder produtivo, do amor e da guerra. O seu culto era acompanhado de grande licenciosidade" (BOYER, 2008, p. 72, grifo nosso). Por sua vez, Moloque ou Milcom era "uma divindade amonita adorada com sacrifícios humanos (2 Reis 23.10; Jr 32.35)" (PFEIFFER; VOS; REA, 2006, p. 769). A terceira falsa divindade era Camos ou Quemos, deus moabita, que também era adorado através de sacrifícios de crianças. Diante desses fatos, reflitamos. Até que ponto chegou Salomão...

Amados leitores e leitoras, não há duvidas de que as Escrituras são contrárias a esses dois grandes erros do Filho de Davi. O Santo abomina tanto a poligamia quanto o casamento misto. Em outras palavras, crente deve se casar com crente (1 Coríntios 7.39), tendo como base a união monogâmica. O que ultrapassa essas balizas é pecado!


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BOYER, Orlando. Pequena enciclopédia bíblica: dicionário, concordância, chave bíblica, atlas bíblico. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

PFEIFFER. Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wiycliffe. Traduzido por Degmar Ribas Júnior. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

O Eu e o pecado

Por João Paulo Souza


Sem a intenção de adentrar no campo da psicanálise para definir o “eu”, tomamos de empréstimo uma das entradas do dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa: “tendência de um indivíduo a não levar em consideração senão a si mesmo; egocentrismo; egoísmo, narcisismo”. Por essa definição, podemos entender que a principal característica do eu é a supervalorização de si mesmo. Por isso que, geralmente, uma pessoa egocêntrica não reconhece seus próprios erros, incorrendo, assim, em engano.

Em 1 João 1.8, o autor desta epístola diz que, “se dissermos que não temos pecado algum, enganamos a nós mesmos”. O que pode levar uma pessoa a dizer isso? Não será pelo fato de ela se achar independente de Deus? Saul, por exemplo, ao receber uma ordem divina para destruir os amalequitas e tudo o que lhes pertencia, poupou o melhor dos animais e o rei Agague (1 Samuel 15.7-9).  Nesta passagem, deparamo-nos com a arrogância e o egoísmo desse rei fatídico. Nesse caso, o eu falou mais alto e o dominou violentamente.

Outro modelo de egocentrismo foi o de Herodes Agripa I, durante seu reinado em Israel. Este monarca era sanguinário e perseguidor da Igreja (Atos 12.1-3). E, num certo dia, enquanto estava assentado em seu trono com roupas esplendorosas, discursando para os tírios e sidônios, ouviu da boca destes: “É a voz de um deus, e não de um homem” (Atos 12.22). Ele gostou tanto de ser glorificado que, “no mesmo instante, o anjo do Senhor o feriu, porque não deu glória a Deus; e, comido por vermes, morreu” (Atos 12.23).

Na vida de Saul quanto na de Herodes, vemos em comum o eu dominando. Dessa forma, suas escolhas eram tomadas sem a aprovação de Deus. E mais: eles não confessavam verdadeiramente a existência de seus próprios pecados. No íntimo, eles diziam: “Não temos pecado algum!”, contradizendo o que disse o rei Davi: “Eu nasci em iniquidade, e em pecado minha mãe me concebeu” (Salmo 51.5).

Meus leitores e leitoras, o eu de nossas vidas deve estar crucificado com Cristo. Caso contrário, nossas vidas e obras não serão levadas em conta diante de Deus, para a santa comunhão com o Senhor e salvação eterna. Portanto, rogo as misericórdias do Eterno e faço minhas as palavras do apóstolo Paulo:

“Não sou mais eu quem vive, mas é Cristo que vive em mim. E essa vida que vivo agora no corpo, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. Já que fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas de cima, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas de cima e não nas que são da terra; pois morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, também vos manifestareis com ele em glória. Portanto, eliminai vossas inclinações carnais” (Gálatas 2.20 e Colossenses 3.1-5a, grifo nosso).


terça-feira, 12 de abril de 2016

Posso todas as coisas naquele que me fortalece?!

Por João Paulo Souza



No meio evangélico, há algumas pessoas que gostam de proferir frases de efeito. Uma delas é "posso todas as coisas naquele que me fortalece", que está em Filipenses 4.13. Mas, observando esta frase, será que podemos todas as coisas mesmo? A quais "coisas" o apóstolo está se referindo?

Ao ler as Escrituras, devemos ter cuidado quanto à sua interpretação. Um princípio básico relativo à interpretação bíblica é que nenhum texto isolado pode ser considerado como doutrina. Ao contrário, para entendermos apropriadamente as passagens da Bíblia, precisamos considerar os seus contextos imediatos e remotos.

Quando analisamos Filipenses 4.13, para o bom entendimento do que Paulo quis dizer neste versículo, carecemos de ler os versículos anteriores. Nos versículos 11, 12 e 13, o apóstolo dos gentios diz:

"Não digo isso por causa de alguma necessidade, pois já aprendi a estar satisfeito em todas as circunstâncias em que me encontre. Sei passar necessidade e sei também ter muito; tenho experiência diante de qualquer circunstância e em todas as coisas, tanto na fartura como na fome; tendo muito ou enfrentando escassez" (Almeida Século 21).

Somente depois de falar essas palavras é que Paulo afirma: "Posso todas as coisas naquele que me fortalece". Portanto, o que esse servo de Deus disse foi que, independente da situação em que estivesse passando, Deus o ajudaria a superá-la e o ensinaria a vivê-la para a glória de Cristo.




sexta-feira, 1 de abril de 2016

Dinheiro: um mal ou um bem?

Por João Paulo Souza



A vida cristã é diferente da vida mundana. Na verdade, esses dois modos de viver mostram-se opostos por natureza. Podemos dizer que são duas lentes cosmológicas e espirituais distintas. 

O apóstolo Paulo deixou muito claro a diferença entre o pensamento cristão e o pensamento do mundo. Em Romanos 12.2, ele rogou aos irmãos em Roma para não se conformarem com o mundo, ou seja, buscarem uma mente renovada em Cristo. E, o intuito de Paulo, era o experimento da "boa, agradável e perfeita vontade de Deus".

Quando nos convertemos ao Senhor Jesus, passamos a compartilhar de seu pensamento: "Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo" (1 Coríntios 2.16). Este texto é bastante revelador, no sentido de compreendermos que toda pessoa, a partir de sua conversão, recebe da parte de Deus uma nova vida (2 Coríntios 5.17).

Portanto, se alguém se arroga espiritual, mas "ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende" (1 Timóteo 6.3-4). E, se todos aqueles que desprezam o verdadeiro ensino de Cristo, nada entendem acerca das coisas espirituais, seu pensamento e ações são nocivos, especialmente no tocante ao dinheiro:

"Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (1 Timóteo 6.9-10).

Portanto, o real problema não está no dinheiro, mas na forma como lidamos com ele. O próprio Jesus alertou seus discípulos com relação às riquezas: "Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração" (Mateus 6.21).