quarta-feira, 20 de abril de 2016

O Eu e o pecado

Por João Paulo Souza


Sem a intenção de adentrar no campo da psicanálise para definir o “eu”, tomamos de empréstimo uma das entradas do dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa: “tendência de um indivíduo a não levar em consideração senão a si mesmo; egocentrismo; egoísmo, narcisismo”. Por essa definição, podemos entender que a principal característica do eu é a supervalorização de si mesmo. Por isso que, geralmente, uma pessoa egocêntrica não reconhece seus próprios erros, incorrendo, assim, em engano.

Em 1 João 1.8, o autor desta epístola diz que, “se dissermos que não temos pecado algum, enganamos a nós mesmos”. O que pode levar uma pessoa a dizer isso? Não será pelo fato de ela se achar independente de Deus? Saul, por exemplo, ao receber uma ordem divina para destruir os amalequitas e tudo o que lhes pertencia, poupou o melhor dos animais e o rei Agague (1 Samuel 15.7-9).  Nesta passagem, deparamo-nos com a arrogância e o egoísmo desse rei fatídico. Nesse caso, o eu falou mais alto e o dominou violentamente.

Outro modelo de egocentrismo foi o de Herodes Agripa I, durante seu reinado em Israel. Este monarca era sanguinário e perseguidor da Igreja (Atos 12.1-3). E, num certo dia, enquanto estava assentado em seu trono com roupas esplendorosas, discursando para os tírios e sidônios, ouviu da boca destes: “É a voz de um deus, e não de um homem” (Atos 12.22). Ele gostou tanto de ser glorificado que, “no mesmo instante, o anjo do Senhor o feriu, porque não deu glória a Deus; e, comido por vermes, morreu” (Atos 12.23).

Na vida de Saul quanto na de Herodes, vemos em comum o eu dominando. Dessa forma, suas escolhas eram tomadas sem a aprovação de Deus. E mais: eles não confessavam verdadeiramente a existência de seus próprios pecados. No íntimo, eles diziam: “Não temos pecado algum!”, contradizendo o que disse o rei Davi: “Eu nasci em iniquidade, e em pecado minha mãe me concebeu” (Salmo 51.5).

Meus leitores e leitoras, o eu de nossas vidas deve estar crucificado com Cristo. Caso contrário, nossas vidas e obras não serão levadas em conta diante de Deus, para a santa comunhão com o Senhor e salvação eterna. Portanto, rogo as misericórdias do Eterno e faço minhas as palavras do apóstolo Paulo:

“Não sou mais eu quem vive, mas é Cristo que vive em mim. E essa vida que vivo agora no corpo, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. Já que fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas de cima, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas de cima e não nas que são da terra; pois morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, também vos manifestareis com ele em glória. Portanto, eliminai vossas inclinações carnais” (Gálatas 2.20 e Colossenses 3.1-5a, grifo nosso).


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