quarta-feira, 25 de junho de 2014

O ídolo da beleza




O pecado não muda essencialmente, só ganha novos formatos ao longo dos tempos. Antigamente, sem poder de decisão, as meninas chinesas eram submetidas ao encurtamento dos pés para conformarem-se à moda da época. Sem isso, corriam o risco de não obter bons casamentos. Eram obrigadas a usar sapatos pequenos demais, que deformavam os dedos e muitas vezes chegavam a causar gangrena. Tinham dores horríveis pelo resto da vida e perdiam facilmente o equilíbrio quando de pé - o que aliás era considerado um charme pelos chineses de então. Esse aspecto trágico da sociedade chinesa antes do comunismo é bem documentado em formato narrativo pela escritora Jung Chang em Cisnes selvagens - um livro apaixonante sobre três gerações de mulheres antes, durante e depois da Revolução Chinesa. E a vida de nenhuma delas foi fácil.

Hoje, em plena valorização do que é "natural" (a maquiagem, por exemplo, busca reproduzir um visual fresco e iluminado), há moças ocidentais, com bastante poder de decisão, que se submetem voluntariamente a um procedimento cirúrgico que, segundo elas, deixará seus pés mais bonitos e mais adequados aos caríssimos Louboutin que desejam comprar. Segundo os especialistas, há riscos de dor constante, assim como ocorria com as chinesas. Mas, como sempre, o adorador se extasia à vista do ídolo e não consegue se deter nos sacrifícios. E a destruição, dessa vez, é autoinfligida.

Para as mulheres contemporâneas, tem sido quase impossível escapar do culto ao ídolo da beleza.

Fonte: Norma Braga

Obs.: A foto acima não consta da postagem original.

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