domingo, 30 de junho de 2013

A aliança de Martinho Lutero


"Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir."

Ao ler e refletir sobre a declaração pactual acima, que foi proferida por Martinho Lutero, sinto-me sobremodo alentado. Isto por saber que verdadeiros homens e mulheres santos não se iludem facilmente com tudo aquilo que, por um descuido ou desequilíbrio espiritual, pode destoar do primado das Escrituras Sagradas, isto é, da vontade de Deus. Para explicar melhor a minha singela compreensão dessa aliança, usarei algumas palavras que me ajudarão a tecer um breve comentário.

As primeiras palavras do pacto: "Fiz uma aliança com Deus". Quem fez "uma aliança"? Lutero. Com quem? Com Deus. De quem para quem? De um ser humano para um ser divino. Indubitavelmente, estas foram simples - ou aparentemente ingênuas - perguntas. Todavia, levam-nos a meditar profundamente acerca da nossa atual comunhão com o Senhor. Como nos encontramos diante dEle?

"Que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos". Inobstavelmente, a Bíblia fala de "sonhos" (Gn 37.5; 40.5 etc.), de visões (Gn 15.1; Is 1.1 etc.) e de anjos (Gn 19.1, 19 etc.). Entretanto, em momento algum devemos supervalorizá-los, ainda que nos venham maravilhosamente. Lutero, de modo algum rechaçou essas realidades bíblicas, mas advertiu quanto à possíveis erros de valoração.

Por que Lutero estava satisfeito com as Escrituras? "[...] me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir". Diante desta bem-aventurada declaração, o que podemos dizer senão que não há livro - entre todos que foram e que ainda serão produzidos - mais nutritivo e comparável a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus, que, segundo Hebreus 4.12, "é viva e eficaz".

Lembremo-nos de que não há nada de errado em visões, sonhos e anjos vindos da parte do Senhor para nós outros. O que está em jogo, evidentemente, é a supremacia da Palavra de Deus, quando a desprezamos e, por isso mesmo, supervalorizamos o que não devemos.

No Senhor,

João Paulo M. de Souza

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