sábado, 9 de fevereiro de 2013

Cuidado com a dominação alheia


Conforme o apóstolo Paulo avaliza em Colossenses 2.18, ninguém, homem ou mulher, tem o direito ou o apoio divino de subjugar, independente da esfera envolvida, o seu semelhante: "Ninguém vos domine a seu bel-prazer". Porém, em detrimento da orientação escriturística, muitos se têm valido de suas posições de destaque para impor os seus caprichos aos seus liderados.

Vários são os "pretextos" utilizados pelos que pensam que detêm a autoridade máxima nas questões de Deus. Quem tem mais autoridade? A Igreja ou a Bíblia? Porventura, é a Igreja que se dirige? Ou será que não há um poder maior instituído pelo próprio Deus, que visa ao bom andamento da vida do Corpo de Cristo? 

Em 2 Timóteo 3.16, 17, está escrito assim: "Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem [ou mulher] de Deus seja perfeito [a] e perfeitamente instruído [a] para toda boa obra" (grifo meu). Observe que a Bíblia é "inspirada divinamente". Isto quer dizer que nenhum homem ou mulher - que se encontra em estado de imperfeição, apesar de estar em Cristo - tem, por si mesmo (a), a ínfima autoridade de dizer o que deve ser praticado pela Igreja e o que não deve. O manual do crente é o Livro dos livros. Este, sim, tem plena autonomia de prescrever as verdades de Deus aos homens (Sl 119.105).

É verdade que Deus separou homens para, sob a tutela do Espírito, "orientarem" a Igreja (Ef 4.11), porém não ordenou que esses homens mandassem na Igreja. Essa verdade fica bem clara em 1 Pd 5.1-3:

"Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles... apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo" (grifo meu).

Como podemos depreender do texto acima, as Escrituras condenam quaisquer atitudes de autoritarismo dentro das igrejas por parte das lideranças. Estas, de acordo com Pedro, devem cultivar o "zelo", a "voluntariedade", a "despretensão", a "abnegação", a "boa vontade",  a não "dominação" com relação aos seus liderados.

A bem da verdade, devemos ter muito cuidado com os ensinos puramente humanos, isto é, destituídos do sabor do Céu:

"Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se ainda pertencessem a ele, vocês se submetem a regras: 'Não manuseie!', 'Não prove'!, 'Não toque!'? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não tem valor algum para refrear os impulsos da carne" (Cl 2.20-23, Nova Versão Internacional).

Para concluir, tomemos bastante cuidado com essas regras - às vezes prolixas - que "têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não tem valor algum para refrear os impulsos da carne" (Cl 2.23, NVI). Não pense o (a) leitor (a) que essas normas mofadas estão em ínfimo uso nos dias de hoje. Pelo contrário, permeiam tão vivamente certos arraiais cristãos, que causa náusea a qualquer crente que foi, de verdade, liberto por Cristo (Jo 8.36).

Em Cristo,

João Paulo M. de Souza

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