sábado, 14 de julho de 2012

Dom de variedade de línguas: Não devemos ser meninos no entendimento



Biblicamente, qualquer pessoa que recebeu de Deus o batismo com o Espírito Santo (At 1.5) e, posteriormente, o dom de variedades de “línguas” (gr. glōssa) desfruta de capacitações sobrenaturais (At 2.1-4; 1 Co 12.10). Apesar disso, como o receptor é passível de errar, pode haver exageros no momento em que está sendo usado pelo Espírito, e, quando isso acontece, as consequências quase sempre são negativas.  Todavia, para que isso seja evitado,  as Escrituras orientam aos que desfrutam desse dom que falem comedidamente e com ordem durante os cultos, para que haja perfeita edificação no seio da Igreja. 

Ao falar sobre “a variedade de línguas” (1 Co 12.10), o apóstolo Paulo foi claro e direto: “... quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida” (1 Co 14.19).  Ele ainda disse que “o que fala em língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios” (1 Co 14.2).  A bem da verdade, “o que fala língua estranha edifica-se a si mesmo"  (1 Co 14.4). Certamente, essa capacitação sobrenatural é deleitosa e edificante para o crente (1 Co 14.12). 

Não há necessidade de qualquer argumento bem elaborado para provar a realidade da imperfeição humana, basta observar a experiência diária do homem. “Deus fez o homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec 7.29). Lembremo-nos de que, após a Queda (Gn 3), o homem perdeu sua perfeição. Por isso que Paulo alertou os coríntios acerca de quaisquer irregularidades durante o falar em línguas. Quando ocorrem excessos na igreja, sempre são oriundos da parte do receptor, nunca do concessor: “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil. Porque Deus não é Deus de confusão” (1 Co 12.7; 14.33). 

Outra verdade importante no aconselhamento do apóstolo aos coríntios está explícita: “Irmãos, não sejamos meninos no entendimento” (1 Co 14.20). Observe-se que, aos que abusam do dom, Paulo os repreende e os chama de “meninos”, isto é, de “crianças” espirituais que não se autocontrolavam. Contudo, o servo de Deus dá o exemplo e aconselha-os:

Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos. Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida. Irmãos, não sejamos meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia e adultos no entendimento. Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para a edificação. E, se alguém falar língua estranha, faça-se isso por dois ou, quando muito, três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus (1 Co 14.18-20, 26-28). 

Em Cristo,

João Paulo M. de Souza

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