domingo, 15 de abril de 2012

Como se formam verdadeiras "pérolas" para a glória Deus

As ostras são moluscos bivalves, marinhos e sésseis, isto é, não possuem sustentação ou suporte algum. Apesar de não terem uma aparência agradável, nelas se contém a madrepérola ou nácar - uma substância calcária, dura, brilhante, branca ou escura e iridescente, ou seja, cujas cores refletem as do arco-íris.

O mais interessante nas ostras é o fato de que elas produzem, devido a reações a corpos estranhos, a pérola. Quando microorganismos ou grãos de areia invadem seu organismo, mais precisamente entre o manto e a concha, esses moluscos reagem, liberando sobre os intrusos camadas de madrepérola (nácar). Assim, dá-se o início da confecção da margarita. Esse processo não é sem dor.

Ao ler e entender a maneira pela qual uma pérola é formada no interior de uma ostra, fiquei sobremodo maravilhado e achei semelhante - analogicamente, é claro - o seu processo de construção com as tribulações concernentes à vida em Cristo. Ambos retratam desconfortos, dores, paciência e superação dos obstáculos enfrentados. No entanto, a partir dessa analogia, cheguei a seguinte pergunta: Como se formam genuínas 'pérolas' para a glória de Deus?

Assim como esses moluscos, nós, enquanto seres humanos, estamos sujeitos a momentos incovenientes que, de certo modo, acabam nos produzindo desconfortos. Nesses instantes, paramos e pensamos maneiras de como agir diante dessas dificuldades. 

Outrossim, quando as coisas em nossa vida  parecem não ir bem e as dores exacerbam-se em nós, às vezes, desesperamo-nos, imaginando o pior. Foi o que aconteceu com o apóstolo Paulo, certa feita:

"Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos" (2 Co 1.8).

Apesar de as incomodidades da vida trazerem consigo, de um lado, o seu lado doloroso, de outro, produzem, espiritualmente, resultados profícuos. As tribulações ajudam-nos a gerar, pelo Espírito Santo, o "nácar" necessário do qual estamos precisando. Observe o que aconteceu com o doutor dos gentios e o que ele testemunhou de si mesmo: 

"E, para que não me exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne... Acerca do qual três vezes orei ao Senhor, para que se desviasse de mim. E disse-me [o Senhor]: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte" (2 Co 12.7-10).

Os "corpos estranhos" - as fraquezas, as necessidades, as perseguições, as angústias etc. - que assolavam a Paulo produziam nele "pérolas" lindas: "De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas... Pelo que sinto prazer nas fraquezas... quando estou fraco... sou forte" (2 Co 12.9, 10).

Ademais, não podemos nos esquecer de nosso Senhor Jesus Cristo que, ao receber os nossos pecados, na cruz do Calvário, produziu, para sempre, brilhantes e admiráveis "margaritas" de salvação:

"Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si... ele foi ferido pelas nossas transgressões e moídos pelas nossas iniquidades... O trabalho da sua alma ele verá e ficará satisfeito; com o seu conhecimento, o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si" (Is 53.4, 5, 11; cf. Gl 5.22; 1 Jo 2.25; 3.1-3).

Em Cristo Jesus,

João Paulo M. de Souza  

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