quinta-feira, 1 de março de 2012

Algumas características do modelo de oração ensinado por Jesus


Biblicamente, a oração é falar com Deus; por ela, podemos externar o que realmente estamos sentindo. Descortinar o sentido de nossas palavras diante dAquele que tudo ouve (Sl 94.9) é uma das boas maneiras de crescermos espiritualmente. Para tanto, devemos atentar para o que as Escrituras ensinam, sobretudo para o que disse Jesus sobre essa benção maravilhosa (Mt 6.5-13).

"E quando orares, não sejas como os hipócritas" (v.5). Ser como os "hipócritas" ou fingidos é querer, a todo custo, mostrar-se aos outros o que, na verdade, em essência, não é. Trocando em miúdos, é gostar de "aparecer". Os falsos adoram posições de destaque: "... pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens" (v.5). "Em verdade... já receberam o seu galardão" (v.5).

"Mas tu, quando orares, entra no teu aposento" (v.6). Aqui fala de intimidade secreta com Deus: "... e, fechando a porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto" (v.6). Para que o Senhor ouça-nos, não necessitamos de fazer orações estratosféricas em público, pois como o próprio Jesus disse, o Pai "vê o que está oculto". Uma ressalva: isso não reprova orações regulares em cultos nas igrejas ou em lugares públicos, o que está em foco é como oramos, ou seja, a intenção com a qual fazemos isso.

"E, orando, não useis de vãs repetições" (v.7). Algumas pessoas, inconscientemente, repetem, repetem e repetem orações... como se Deus não tivesse ciência de suas necessidades: "... não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos... Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes" (v.7, 8). Na verdade, o que Deus espera dos seus servos é objetividade na oração, repleta de fé e sinceridade (Lc 11.1).

"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus" (v.9). Lembre-se de que Deus é "Pai" e, por ser assim, é digno de ser tratado como tal: "Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra" (Mt 11.25; Hb 12.9). Nenhum pai, por mais que busque preencher - eticamente - os parâmetros paternos, jamais alcançará os padrões do Pai Eterno: "Porque o amor de Cristo nos constrange" (2 Co 5.14; cf.Jo 14.9).

"Venha o teu Reino" (v.10). Jamais esqueçamos de orar pelo domínio do Senhor na presente dispensação (Mt 6.33); outrossim, clamemos ao Pai em favor de Sua majestosa manifestação entre nós agora (At 4.31); não desfaleçamos quanto a orarmos, ansiosos, pelo  retorno de Cristo e pela manifestação plena do Reino eterno no novo céu e na nova terra (2 Pe 3.10-12; Ap 21.1). 

"Seja feita a tua vontade" (v.10). A vontade do Pai deve ser prioridade em nossas vidas, pois sem ela, estaremos alheios às bençãos divinas (Dt 28.1; Gn 12.1-3; Sl 119.105). Oremos como Jesus ensinou: "... faça-se a tua vontade" (Mt 26.42). Portanto, não sejamos rebeldes como o são os ímpios, que não conhecem a Deus, atraindo a ira do Senhor sobre nós outros (Cl 3.1-10). 

"O pão nosso de cada dia dá-nos hoje" (v.11). Através deste pedido aprendemos que somos inteiramente dependentes do Senhor, pois "todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez" (Jo 1.3). Jesus é o nosso Único Provedor (Jo 6.1-13; 15.5). Ele disse de si mesmo: "... Eu sou o pão da vida (Jo 6.35) - toda suficiência de que carecemos encontramos nEle (Fl 4.19).

"Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores" (v.12). Em momento algum teremos condições de nos remir, pois todos somos pecadores (Rm 3.23). Apesar disto, alcançamos o perdão divino por meio dAquele que nos amou primeiro (Jo 3.16; Rm 5.8). Por conseguinte, pela oração, perdoemos todos que nos ofenderam (ou nos ofende) de alguma maneira - este mandamento aprendemos de Jesus (1 Pe 3.18; Hb 12.2). 

"E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal" (v.13). Todos nós somos alvo de Satanás (Gn 3). Portanto, peçamos para Deus nos livrar das artimanhas do Inimigo: "Porque não ignoramos os seus ardis" (2 Co 2.11). Pedro estava para ser morto, guardado numa prisão, mas a Igreja fazia constante oração por ele a Deus (At 12.5, 6). O resultado dessa intercessão foi surpreendente (At 12.7-17)! 

"Porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!" (v.13). Após entrarmos no Santuário (Hb 10.19), enalteçamos Àquele "que é digno de receber glória, e honra, e poder" (Ap 4.11), porque "dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!" (Rm 11.36).

Diante desses ensinos extraídos das Santas Escrituras, busquemos imitar o Mestre. Ele é o maior e melhor exemplo em tudo que concerne à vida: "... aprendei de mim" (Mt 11.29).

Em Jesus Cristo,

João Paulo M. de Souza





2 comentários:

Herenilton H. Julião disse...

Prezado irmão João Paulo,

Paz do Senhor.
Maravilhosa essa sua exposição das Escrituras. É muito edificante quando nos deparamos com mensagens que extraem o verdadeiro PRINCÍPIO bíblico. São ensinos assim que fazem a Igreja crescer.
Atualmente tenho me deparado com pessoas que tem em suas mentes verdades das escrituras distorcidas. Acreditam que não é necessário perseverar na oração, não levam em consideração a vontade divina e por aí vai...E digo que esta situação tem me deixado um pouco preocupado.
Explanações como estas podem ser a farinha necessária para neutralizar o veneno na panela.

Deus continue te abençoando.
HHJ

João Paulo disse...

Amado irmão Herenilton, a paz do Senhor!

A prática do falar com Deus, para nós outros, bem como para qualquer cristão genuíno é necessária e inegociável (Lc 18.1). No entanto, é uma verdadeira labuta. Não é fácil praticarmos constantemente o diálogo com o Senhor (1 Ts 5.17). Mas, ao contrário do que muitos pensam, podemos cultivar uma vida de oração, independentemente das circunstâncias (Ef 6.18).

Um forte abraço!

JPMS