quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ele (a) tem dinheiro? Tem posses? É influente? É filho de alguém influente? Então, pode chamá-lo (a)!


Amado (a) leitor (a), estive matutando um pouco sobre uma realidade exarcebada em nossos dias: a valorização do ter em prejuízo do ser. Essa deprimente prática vem desde muito longe. Quem nunca ouviu ou leu o texto de 1 Sm 16.7, 8, no qual, Samuel, com olhos interesseiros, errou ao tentar ungir Eliabe em lugar de Davi: "E sucedeu que, entrando eles, [Samuel] viu a Eliabe e disse: Certamente, está perante o SENHOR o seu ungido. Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência..." (grifo nosso).

Indiscutivelmente, hoje, ninguém é menino ou ingênuo demais, a ponto de não perceber, em algumas pessoas (e são muitas), o interesse pelos valores externos dos seus semelhantes. No próprio íntimo, as perguntas prediletas dos interesseiros são: Ele (a) tem carro? Tem dinheiro? Tem posses? É influente? É filho (a) de alguém influente? Quanto ele (a) ganha? Qual é a profissão dele (a)? Será que posso desfrutar daquilo que ele (a) tem? Segundo o dicionário Houaiss, o vocábulo interresseiro significa "que ou aquele que tem por objetivo primordial satisfazer seus próprios interesses, adotando, para este fim, procedimento falsamente sociável com aqueles que lhe possam ser úteis".

Acerca do profeta Samuel, todos nós bem sabemos que foi ele um homem de Deus (1 Sm 3.19-21). No entanto, também não podemos negar o seu deslize em escolher com os "olhos da cara" a Eliabe. Ao que disse Deus: "Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem" (v.7). Aqui, descobre-se que, por mais que tenha profunda comunhão com Deus, nenhum líder está isento do erro.

Diferente do ser humano, Deus não escolhe uma pessoa por causa dos seus pertences, de sua fama, de sua profissão, de seus diplomas etc., pois se assim fizesse, Pedro e André jamais fariam parte da Escola Apostólica, por terem sido simples pescadores (Mt 4.18, 19), nem tampouco o pequeno Davi seria ungido rei de Israel.

Diante do exposto, o que Deus espera de nós outros em relação aos nossos pares? Certamente, um coração puro e imparcial, que aja com desinteresse e lealdade. Lembremo-nos de que mesmo antes de nascermos, o Pai já havia enviado o Seu Filho amado para nos propiciar: "Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5.8).

Reflitamos nisso.

João Paulo M. de Souza

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