domingo, 13 de junho de 2010

Os perigos da fofoca

"Menina, nem te conto!, Sabe fulana? Precisamos orar por ela (sic). Eu soube que... ti, ti, ti... blá, blá, blá...” Pronto. Não precisa mais nada para transformar a vida de fulana no assunto mais comentado pelos corredores da igreja. Não se sabe exatamente quando e como começou, mas não é de hoje que falar da vida alheia, ou melhor, fofocar faz parte da história da humanidade.

De acordo com o pastor Elinaldo Renovato, há na índole do ser humano, uma tendência para a intromissão na vida dos outros, para examinar, julgar e emitir opiniões e comentários sobre a vida alheia. "É mais fácil julgar a vida dos outros do que a vida própria de cada um", analisa.

Na opinião da psicóloga Sonia Pires, a vida alheia é a matéria-prima para os fofoqueiros. É dela que eles (os fofoqueiros), de maneira artesanal, irão tecer as tramas mais sórdidas. "Muitas vezes justificam como a 'preocupação com a verdade', em outras ocasiões escondem a esperteza de pessoas que refletem sentimentos de inveja, despeito, ciúme, raiva, maldade, vingança e fértil ocupação dos ociosos", analisa a especialista, destacando que, "o fofoqueiro não consegue ver nada de bom no sucesso, talento e conquistas das outras pessoas".

Pastor Elinaldo diz que as pessoas fofoqueiras devem ser confrontadas à luz da Palavra de Deus. Segundo o pastor, se for provado que houve má fé na divulgação de qualquer comentário, as pessoas responsáveis pela fofoca deverão ser, no mínimo, repreendidas. "Em alguns casos, talvez seja necessário a suspensão da comunhão. O problema é que jamais se viu alguém ser disciplinado por fofoca", comenta o pastor, destacando a exortação de Paulo em 2 Coríntios 12.20 para que não haja mexeriqueiros na igreja.

Fofoca é crime e faz mal.

Para algumas pessoas, tricotar, bisbilhotar ou fazer mexericos da vida alheia é um esporte prazeroso. No entanto, de acordo com o juiz Edson Jorge Cechet, membro da Assembleia de Deus em Porto Alegre, isso constitui crime de calúnia, injúria ou difamação e todas as vezes que alguém se sentir lesado ou ofendido pode recorrer à Justiça. Ele explica que, apesar de se confundirem, para cada um dos três delitos existem penas diferenciadas. Segundo ele, atualmente, essas questões são tratadas nos Juizados Especiais Criminais que buscam fazer a conciliação entre o ofendido e o ofensor. "Se as tratativas para composição não surtirem efeito, poderá ser instaurado o devido processo legal contra o que pratica o ato", explica.

Em artigo publicado na revista Você S/A, o consultor Gutemberg de Macedo afirma que "a fofoca é o mais desprezível dos vícios; pois, por não poder influenciar o espírito e o caráter dos sábios, rasteja como uma serpente venenosa e refugia-se na alma dos fracos e tolos". Segundo ele, as fofocas contaminam os bons costumes, azedam as relações interpessoais, destroem a eficácia do trabalho de profissionais e o ambiente de trabalho de inúmeras empresas.

"E dependendo da fofoca, a vítima pode carregar inúmeros traumas e as consequências podem ser muito graves", é o que afirma a psicóloga Sonia Pires. Segundo a especialista, a fofoca pode vir a acabar com a vida de uma pessoa ou contribuir para que desenvolva uma doença psicossomática, depressão e traumas no convívio social. "Infelizmente, existem pessoas desprovidas do amor de Deus e de misericórdia", lamenta a psicóloga, que ensina. "Como está escrito em 1 Pedro 3.10, 'Pois quem quiser amar a vida e ver dias felizes, refreie a língua do mal e os seus lábios não falem engano'".

Por Sandra Freitas, via CPADNews

Um comentário:

Anônimo disse...

pura verdade, eu sei que faço parte desse grupo, apesar de saber que esse comportamento é digno de repulsa e vergonha, há uns dias venho refletindo sobre isso e decidir que não quero mais alimentar essa atitude despresivél. venho me vigiando e tentando frear a lingua. se eu não conseguir sozinha vou pedir ajuda a quem pode mais. só sei de uma coisa fofoqueira não quero ser mais.