quarta-feira, 16 de junho de 2010

Escatologia aterrorizante (2) - IIIuminati, maçonaria e H1N1

Dando sequência ao estudo sobre a escatologia aterrorizante — a qual vem sendo esposada por falsos ensinadores que gostam de alarmar os incautos mediante vídeos, livros e sites da Internet, gerando crentes neuróticos —, desejo fazer uma breve abordagem acerca da propagação de informações inverídicas a respeito das seitas secretas Illuminati e maçonaria e da vacina contra o vírus influenza A (H1N1).

Os profetas do terrorismo têm se apresentado como os únicos propagadores da verdade e se dizem perseguidos pela Nova Ordem Mundial. Entretanto, como veremos, eles não merecem crédito algum, posto que não consideram a Bíblia a sua fonte primária de autoridade. Sua escatologia, especulativa e alarmista, aterroriza mais do que alerta e conforta os servos do Senhor, e eles asseveram que o Santo Livro apenas contém verdade.

Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, visto que contestam o incontestável fato de que a Bíblia é a Palavra de Deus, a revelação divina escrita (2 Tm 3.16, ARA; 2 Pe 1.21). Esses teólogos (teólogos?) demonstram não ter base erudita alguma quando asseveram que a Bíblia Sagrada é uma reunião de livros realizada pelos papas. Não sabem eles que o cânon das Escrituras vetero e neotestamentárias ocorreram muito antes do Concílio de Trento? Não conhecem eles 2 Pedro 3.16 e Romanos 15.4?

Outra afirmação absurda, caluniosa e sem fundamento dos tais terroristas é a de que todas as igrejas evangélicas — sem exceção — estão envolvidas com a Nova Ordem Mundial e o satanismo. Curiosamente, eles acusam as editoras evangélicas de venderem Bíblias e livros, porém oferecem pela Internet e nas igrejas os seus DVDs... Estes, aliás, são uma verdadeira exploração mercadológica. Além de conterem pesadas acusações de que certos pastores seriam maçons (cf. Mt 7.1,2), apresentam associações questionáveis, esdrúxulas, e notícias alarmantes, amedrontadoras. Para quê? Para “fazer a cabeça” dos incautos, desviando-os cada vez mais do estudo bíblico na Escola Dominical, nos cultos de doutrina, nos seminários, etc.

Cada fato novo de grande repercussão na mídia tem sido usado pelos teólogos alarmistas para fazer alarde e vender DVDs contendo “grandes descobertas”. Eles mercadejam a Palavra (2 Co 2.17; 2 Pe 2.1-3). Uma notícia falsa bastante explorada por eles foi a de que a vacina contra o vírus H1N1 seria perigosa e causaria a morte de milhares de pessoas. E eles conseguiram convencer muitos crentes que não estudam a Palavra de Deus — infelizmente, a maioria — de que não deveriam tomar a tal “vacina assassina”.

Os propagadores do terror afirmaram que a mencionada vacina, em razão de conter mercúrio e óleo de esqualeno, seria altamente tóxica e letal. Somente os incautos mesmo para não perceberem que esse tipo de informação é inconsistente e suas fontes, duvidosas. De acordo com os especialistas do Ministério da Saúde, as mencionadas substâncias são componentes comuns em vacinas e não oferecem risco algum para o sistema imunológico. Aliás, a vacinação geral já ocorreu, e não houve a propalada mortandade em massa por causa dela!

Para quem não sabe, a vacina contra o vírus A (H1N1), antes de chegar ao Brasil, foi usada nos Estados Unidos e na Europa com êxito. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os efeitos provocados por ela são reações leves, como dor local, febre baixa e dores musculares, que passam em torno de 48 horas. Até médicos e enfermeiras a receberam. E garantiram que não se sentiram diferentes. Minha esposa tomou a vacina e se queixou apenas de dor no local da aplicação. Eu não a recebi porque estava fora da faixa etária. Bem, se alguém desejar informações seguras sobre o assunto, procure-as junto ao Ministério da Saúde, em vez de acreditar cegamente nos propagadores da escatologia do terror.

Voltando às seitas secretas, não nego a influência delas nos bastidores de muitos governos, empresas e organizações. Mas asseverar que todos os governos do mundo, todas as religiões e seitas, todas as organizações não governamentais e empresas, bem como todas as igrejas evangélicas são dominadas por Illuminati e maçonaria é uma afirmação exagerada e sem fundamento. Quem espalha esse tipo de notícia é irresponsável e tem como objetivo primaz alarmar o povo de Deus, a fim de vender DVDs em série, aproveitando-se da credulidade e do misticismo de um povo que não estuda a Palavra do Senhor.

Ao explorar o sensacionalismo, os propagadores do terror afastam o povo de Deus da Palavra. E usam como abono às suas invencionices fundamentos frágeis como imagens e inscrições contidas na nota de um dólar. Ora, o que dizer do real? Em todas as suas cédulas está escrito “Deus seja louvado”. Será que os governantes brasileiros louvam a Deus por causa dessa menção nas notas? Claro que não! Considerando que o dólar é muito mais antigo que o real, teriam todos os presidentes estadunidenses, anteriores a Barack Obama, compromisso com a maçonaria? Teriam todos eles ligação com a Nova Ordem Mundial?

Quem está em Cristo não precisa temer a tal Nova Ordem nem o espírito do Anticristo que já opera no mundo (1 Jo 4.1-3). É claro que este, ao se manifestar visivelmente (1 Jo 2.18), após o Arrebatamento da Igreja (2 Ts 2), utilizará toda a tecnologia que houver no mundo. Mas isso não quer dizer que, hoje, toda a tecnologia já pertença ao poder do mal.

Lembro-me de quando os profetas do terror começaram a dizer, no fim do milênio passado, que nos códigos de barras havia o número 666. Houve uma febre alarmista nas igrejas. Muitos LPs, fitas cassetes e de vídeos, bem como apostilas que tratavam do assunto foram vendidos... Mas a onda passou. E hoje os códigos de barras estão nos livros evangélicos, nos cartões de membro das igrejas e em todos os produtos que compramos nos supermercados...

Será que Satanás e o Anticristo são maiores que o Senhor Jesus, a ponto de o cristão, em vez de desfrutar da graça de Deus, viva aterrorizado com cada fato novo que surge no mundo? Não! O servo do Senhor que se preza não segue a teólogos “caçadores de bruxas”, os quais afirmam que todo e qualquer símbolo é maçônico ou satanista. O crente verdadeiramente espiritual prefere a Escatologia Bíblica, saudável, e não a aterrorizadora, visto que, diferentemente desta, aquela é a que nos alegra (Tt 2.13), nos consola (1 Ts 4.16-18) e nos alerta quanto a nossa vigilância constante (Lc 21.36).

Amém?

Por Ciro Sanches Zibordi

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