quinta-feira, 27 de maio de 2010

As aventuras de Títere e Marionete


Títere e Marionete estão numa pequena cidade brasileira para participar de um grande congresso que ocorre todo ano. Pessoas não param de chegar. Pregadores e cantores disputam lugares junto à tribuna. O tradicional evento está começando, todos estão empolgados, e a expectativa aumenta momentos antes da primeira reunião.

— Quem será o pregador da manhã? — pergunta Marionete, no meio de uma multidão de irmãos vindos de várias cidades, os quais se acotovelam, a fim de encontrarem um lugar “confortável” num espaço que sempre recebe quase o dobro de pessoas para a sua capacidade.

— Vi na Internet que estão na programação os pastores José dos Clichês, Edson Alto e Antônio Grito — responde o seu esposo, o irmão Títere. — Mas eu tô querendo saber quem vai pregar à noite.

— Eu também — diz Marionete. — Esses pastores têm vindo em todos os congressos e já deram o que tinham de dar. Eu queria saber se não há nenhuma novidade...

— É mesmo, Nete? — responde surpreso o marido, que, devido ao seu trabalho, comparece ao congresso pela primeira vez, aproveitando as suas férias.

— É claro, Títere. O Zé dos Clichês no ano passado pregou de novo aquela mensagem sobre “os sonhos de Deus que jamais vão morrer”, enfatizou outra vez que “crente que tem promessa não morre” e ficou pedindo dinheiro... Já o Edson Alto ficou o tempo todo pedindo para o rapaz do som aumentar o retorno. No meio da pregação, inclusive, ele afirmou que um demônio instalara-se nos equipamentos. Quer saber? Eu acho que ele tem é problema de audição.

— E o Antônio Grito, foi bem?

— Ah, o pastor Grito até que tem um pouco mais de conteúdo, porém, ao contrário do Edson Alto, possui uma voz tão estridente que o controlador do som tem que ficar diminuindo toda vez que ele resolve dizer “Receeebaaa”. Sabia que um irmão à minha frente estava até usando um protetor auricular? — risos.

— Não sei o que é pior, Nete, o pregador que pede para aumentar o volume além da conta, ou o que berra ao microfone... Pobres dos nossos tímpanos — risos.

— É verdade... Mas eu soube que o conferencista Eli Cóptero também vem — continua Marionete.

— É mesmo? Esse não é aquele que gira o paletó em cima da cabeça? — pergunta Títere.

— Isso. No último congresso ele foi o grande destaque. No encerramento, além de pular e rodopiar, ele jogou o paletó no chão. Fogo puro. Ficamos todos maravilhados. Foi realmente tremenda aquela noite...

— Mas, Nete, ele pregou sobre o quê?

— Olha, querido, o que Eli Cóptero falou especificamente eu não sei, mas o reteté foi bom demais... Eu me lembro de que o tema do congresso era “Como ser um sonhador apaixonado neste novo milênio apostólico e profético”, e ele disse uma frase muito impactante: “Deus destruirá todos os inimigos que tentarem matar os seus sonhos, mas antes eles, da plateia, verão você vitorioso em cima do palco”.

— E, como foi a conclusão? — pergunta o marido.

— Ah, querido, foi uma explosão de glória! Quando ele terminou de profetizar vitória para todos nós e derrota para os nossos inimigos, chamou as pessoas para semearem... Uns semearam R$ 1.000,00, outros R$ 10.000,00... Como eu não tinha nenhuma semente, fiquei apenas cantando... E a canção que o grupo de louvor entoou tinha tudo a ver com a mensagem: “Tem sabor de mel, tem sabor de mel, a minha vitória tem sabor de mel...”

Fonte: Blog do Ciro

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