quarta-feira, 13 de março de 2019

Série erros eclesiásticos: proibição de visitar outras denominações

Por João Paulo Souza

Começando por este texto, estaremos escrevendo aqui uma pequena série de escritos relacionados a alguns erros cometidos por diversas igrejas evangélicas. Certamente não temos a pretensão de falar de nenhuma denominação em particular, mas identificar incorreções praticadas por elas tidas como bíblicas, mas que de bíblicas não tem nada, porque criam, na verdade, situações e estados desagradáveis no seio do povo de Deus.

Também adiantamos que essa exposição será abrangente, pois abarcará desde regras meramente humanas até erros doutrinários grosseiros. Para tanto, neste primeiro artigo vamos tratar da proibição de visitação a outras denominações evangélicas. Esperamos, desse modo, que esses artigos sirvam de alerta e de orientação aos leitores.
Quem nunca soube de algum pastor ou líder de alguma igreja evangélica que proibiu e continua proibindo suas ovelhas de visitarem outras denominações evangélicas? Esta prática é bastante conhecida no meio cristão. Não precisamos ir muito longe para presenciarmos essa grosseira proibição. Segundo os líderes dessas igrejas exclusivistas, esse impedido é para que as “ovelhas” não peguem “carrapichos” em outros rebanhos, isto é, para que não aprendam doutrinas falsas e usos e costumes “diferentes”, trazendo possíveis prejuízos para as suas igrejas. Mas será que essas argumentações se fundamentam nas Escrituras?
No tocante à união do seu rebanho, Jesus afirmou aos seus discípulos: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13.34-35). Primeiro, ao analisarmos este trecho bíblico, vemos o Senhor ordena que os seus seguidores se amem; segundo, deixa claro que esse amor seria o sinal identificador de que seus seguidores realmente eram seus discípulos: “Nisto todos conhecerão”.
Outro texto muito importante para refutarmos o erro de se impedir membros de visitarem outras igrejas é o fato de que essa atitude produz segregação entre o povo de Deus, especialmente entre os próprios parentes. Conheço um caso em que um membro de uma igreja centenária daqui de Recife foi ameaçado indiretamente pelo líder da congregação se visitasse a igreja em que sua mãe fazia parte. Detalhe: a mãe desse membro era de uma denominação diferente da do filho. Um absurdo! Por isso que o apóstolo Paulo alertou os crentes do seu tempo – e por extensão, a nós também -, quando disse: “Ninguém vos domine a seu bel-prazer, com pretexto de humildade (…) estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus” (Colossenses 2.18-19).

Outro texto bíblico que desmente nitidamente essa arbitrariedade cometida por muitos líderes está em Marcos 9.38-40:
E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que, em teu nome, expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue. Jesus, porém, disse: Não lho proibais, porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós.
No texto acima percebemos que João tinha uma visão errada da igreja de Jesus. O filho de Zebedeu entendia que só eram de Jesus aquelas pessoas que andavam pessoalmente com o Mestre: “o qual não nos segue”. Será que esta atitude de João não nos parece familiar em nossos dias? Todavia, ao perceber o erro crasso do irmão de Tiago, o Senhor o contrariou, ao dizer: “Não lho proibais, porque ninguém há que faça milagre em meu nome e logo possa falar mal de mim”.
“Porque quem não é contra nós é por nós” é uma expressão de Cristo que deve ser considerada profundamente por todos nós. Se somos a favor de Jesus, independente da denominação evangélica em que estamos servindo a Ele, o Pai será conosco e permanecerá em nós, pois, como declarou o Filho, Ele e o Pai são um (Jo 10.30). Ou seja, se, por meio do Espírito Santo, Cristo está em nós, o Pai também o estará.
Por conseguinte, chegamos à conclusão de que a proibição de se visitar outras denominações evangélicas não se sustenta à luz das Escrituras. O que, na verdade, esses líderes autoritários querem é dominar o rebanho e fazê-lo de massa de manobra (Colossenses 2.18). Bem diferente desses ditadores, o apóstolo Pedro aconselhou os líderes no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, dizendo o seguinte:

Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles (…) apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. (1 Pedro 5.1-3, grifo nosso)
Observemos que aqueles líderes deveriam liderar “entre” os irmãos, e não “sobre” os irmãos. A expressão “entre” deixa-nos claro que os verdadeiros líderes não lideram dominando o rebanho, mas cuidado dele e servindo de exemplo como homens de Deus. Como verdadeiros pastores, servem às ovelhas de forma voluntária, com alegria e sem interesses gananciosos. Contrariamente, por debaixo dos panos da proibição de se visitar outras igrejas geralmente está a cobiça pelo poder institucional, pela fama pessoal e pela riqueza patrimonial. Para confirmarmos estes maus intentos, basta-nos observarmos como vivem esses opressores. À propósito, como é o líder de sua denominação? Ele serve ao rebanho ou domina sobre o povo do Senhor?
Espero que tenha gostado deste texto. Até o próximo escrito!

Artigo publicado no Gospel Prime.

domingo, 11 de novembro de 2018

Quando Deus desaparece

Por João Paulo Souza




Hoje, em nosso meio, contrastando com a teologia de João, a “teologia do eu” vem tomando conta de nossas igrejas, nas quais homens inescrupulosos são literalmente entronizados, tendo os seus nomes venerados por audiências incautas e idólatras.
Pelo título deste artigo, talvez você ache um paradoxo pensarmos que Deus possa desaparecer, já que Ele é um ser espiritual e invisível (Cl 1.15). De fato, ninguém jamais teve uma visão perfeita de Deus (1 Jo 4.20). Porém, ao nos referir a “desaparecer”, queremos evidenciar a perspectiva teológica entendida por João Batista: “Convém que ele [Jesus] cresça e que eu diminua” (Jo 3.30, grifo nosso).
No auge de seu ministério, João Batista viu Jesus despontando com muita força na Palestina. O filho de Isabel e Zacarias foi o precursor do Mestre na pregação do arrependimento de pecados e no batismo em águas dos que se voltavam para Deus. Mas, num certo dia, foi avisado pelo próprio Deus que iria aparecer um homem que atrairia a atenção do povo para si: “Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele. Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus” (Jo 1.32, 34).
Após receber a notícia de que deixaria de ser o centro das atenções, pois certamente a sua audiência iria diminuir, João agiu naturalmente: “É necessário que ele [Jesus] cresça e que eu diminua” (Jo 3.30, grifo nosso). João tinha uma teologia saudável. Ele entendia que precisava “desaparecer” diante dos homens para que Jesus pudesse ser notado com mais veemência entre o povo.
Todavia, com uma teologia inflamada pelo ego, os discípulos de João foram até ele tentar dissuadi-lo do propósito de “desaparecer” de entre os homens, dizendo que Jesus estava batizando, e que “todos lhe saíam ao encontro” (Jo 3.26). Ao que respondeu aos seus pupilos: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (Jo 3.27). Com esta resposta, o precursor do Mestre queria ensinar duas coisas aos seus discípulos: 1) todo ministério tem começo, meio e fim e 2) que eles precisavam estar sensíveis para perceberem Deus agindo no ministério de Jesus.
A perspectiva teológica de João não fundamentava o seu sucesso na busca da fama de seu ministério, mas na preeminência de Jesus em tudo. Para João, Jesus “crescendo” é o que importava, pois foi para isso que ele veio ao mundo, porque a sua missão era ser apenas uma “voz”, a voz do que clamava no deserto (Jo 1.23).
Contudo, hoje, em nosso meio, contrastando com a teologia de João, a “teologia do eu” vem tomando conta de nossas igrejas, nas quais homens inescrupulosos são literalmente entronizados, tendo os seus nomes venerados por audiências incautas e idólatras. Essa compreensão humanista e diabólica, alicerçada na busca do “aparecer” e do “crescer” humanos, tem legitimado o “desaparecimento” paulatino de Deus desses cultos e da vida diária dessas igrejas, corroborando, assim, está inegável verdade: “Quando o homem aparece, Deus ‘desaparece’”.
Texto publicado no Gospel Prime.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

8 atitudes que mostram se você idolatra sua denominação

Por João Paulo Souza


“Denominaciolatria” nada mais é do que a adoração a uma denominação, seja ela política ou comercial ou eclesial etc.. Porém, trataremos aqui da adoração a instituições cristãs. E essa veneração, por vezes, é ensinada pelos próprios líderes aos seus liderados, culminando, dessa forma, no pecado da idolatria: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.3).
Analisando a prática denominaciolatra de alguns cristãos, mostramos, a seguir, 8 atitudes que eles frequentemente aderem. Vejamos abaixo:
  • Acreditam que somente a sua denominação é a Igreja de Jesus, e que, nas outras igrejas evangélicas, não há salvos em Cristo;
  • Costumam saudar apenas cristãos que fazem parte de sua denominação, pois acreditam que os crentes de outras igrejas não são seus irmãos, mas primos na fé;
  • Creem piamente que somente os crentes de sua denominação irão para o Céu;
  • Geralmente quando conversam com irmãos de outras instituições cristãs evangélicas, costumam enfatizar que a sua igreja é a melhor de todas, que tem os melhores cantores e pregadores, e que trabalham mais para Jesus do que qualquer igreja;
  • Quando evangelizam, falam mais de sua denominação do que de Cristo, ou seja, a propaganda denominacional é o que mais importa;
  • Divulgam mais a sua denominação cristã, em vez de priorizar a divulgação do Reino de Deus. Inclusive usam bastante as redes sociais para fazê-lo;
  • Acham que os membros de sua igreja são mais santos do que os de outras denominações;
  • Têm uma visão romântica acerca da denominação da qual fazem parte. Veem sua igreja como perfeita. São, de fato, apaixonados por essa instituição.
Indubitavelmente, é lamentável que, em pleno século XXI, vejamos essas atitudes no meio evangélico – inclusive de gente que se diz esclarecida com relação às Escrituras. Como disse alguém: “Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa”. Traduzindo: Falar é fácil, mas viver são outros quinhentos!
Tomemos muito cuidado com a denominaciolatria. Caso contrário, construiremos, à semelhança dos israelitas no deserto, “um bezerro de ouro” e nos prostraremos diante dele.
Artigo publicado no Gospel Prime.