domingo, 11 de novembro de 2018

Quando Deus desaparece

Por João Paulo Souza




Hoje, em nosso meio, contrastando com a teologia de João, a “teologia do eu” vem tomando conta de nossas igrejas, nas quais homens inescrupulosos são literalmente entronizados, tendo os seus nomes venerados por audiências incautas e idólatras.
Pelo título deste artigo, talvez você ache um paradoxo pensarmos que Deus possa desaparecer, já que Ele é um ser espiritual e invisível (Cl 1.15). De fato, ninguém jamais teve uma visão perfeita de Deus (1 Jo 4.20). Porém, ao nos referir a “desaparecer”, queremos evidenciar a perspectiva teológica entendida por João Batista: “Convém que ele [Jesus] cresça e que eu diminua” (Jo 3.30, grifo nosso).
No auge de seu ministério, João Batista viu Jesus despontando com muita força na Palestina. O filho de Isabel e Zacarias foi o precursor do Mestre na pregação do arrependimento de pecados e no batismo em águas dos que se voltavam para Deus. Mas, num certo dia, foi avisado pelo próprio Deus que iria aparecer um homem que atrairia a atenção do povo para si: “Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele. Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus” (Jo 1.32, 34).
Após receber a notícia de que deixaria de ser o centro das atenções, pois certamente a sua audiência iria diminuir, João agiu naturalmente: “É necessário que ele [Jesus] cresça e que eu diminua” (Jo 3.30, grifo nosso). João tinha uma teologia saudável. Ele entendia que precisava “desaparecer” diante dos homens para que Jesus pudesse ser notado com mais veemência entre o povo.
Todavia, com uma teologia inflamada pelo ego, os discípulos de João foram até ele tentar dissuadi-lo do propósito de “desaparecer” de entre os homens, dizendo que Jesus estava batizando, e que “todos lhe saíam ao encontro” (Jo 3.26). Ao que respondeu aos seus pupilos: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (Jo 3.27). Com esta resposta, o precursor do Mestre queria ensinar duas coisas aos seus discípulos: 1) todo ministério tem começo, meio e fim e 2) que eles precisavam estar sensíveis para perceberem Deus agindo no ministério de Jesus.
A perspectiva teológica de João não fundamentava o seu sucesso na busca da fama de seu ministério, mas na preeminência de Jesus em tudo. Para João, Jesus “crescendo” é o que importava, pois foi para isso que ele veio ao mundo, porque a sua missão era ser apenas uma “voz”, a voz do que clamava no deserto (Jo 1.23).
Contudo, hoje, em nosso meio, contrastando com a teologia de João, a “teologia do eu” vem tomando conta de nossas igrejas, nas quais homens inescrupulosos são literalmente entronizados, tendo os seus nomes venerados por audiências incautas e idólatras. Essa compreensão humanista e diabólica, alicerçada na busca do “aparecer” e do “crescer” humanos, tem legitimado o “desaparecimento” paulatino de Deus desses cultos e da vida diária dessas igrejas, corroborando, assim, está inegável verdade: “Quando o homem aparece, Deus ‘desaparece’”.
Texto publicado no Gospel Prime.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

8 atitudes que mostram se você idolatra sua denominação

Por João Paulo Souza


“Denominaciolatria” nada mais é do que a adoração a uma denominação, seja ela política ou comercial ou eclesial etc.. Porém, trataremos aqui da adoração a instituições cristãs. E essa veneração, por vezes, é ensinada pelos próprios líderes aos seus liderados, culminando, dessa forma, no pecado da idolatria: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.3).
Analisando a prática denominaciolatra de alguns cristãos, mostramos, a seguir, 8 atitudes que eles frequentemente aderem. Vejamos abaixo:
  • Acreditam que somente a sua denominação é a Igreja de Jesus, e que, nas outras igrejas evangélicas, não há salvos em Cristo;
  • Costumam saudar apenas cristãos que fazem parte de sua denominação, pois acreditam que os crentes de outras igrejas não são seus irmãos, mas primos na fé;
  • Creem piamente que somente os crentes de sua denominação irão para o Céu;
  • Geralmente quando conversam com irmãos de outras instituições cristãs evangélicas, costumam enfatizar que a sua igreja é a melhor de todas, que tem os melhores cantores e pregadores, e que trabalham mais para Jesus do que qualquer igreja;
  • Quando evangelizam, falam mais de sua denominação do que de Cristo, ou seja, a propaganda denominacional é o que mais importa;
  • Divulgam mais a sua denominação cristã, em vez de priorizar a divulgação do Reino de Deus. Inclusive usam bastante as redes sociais para fazê-lo;
  • Acham que os membros de sua igreja são mais santos do que os de outras denominações;
  • Têm uma visão romântica acerca da denominação da qual fazem parte. Veem sua igreja como perfeita. São, de fato, apaixonados por essa instituição.
Indubitavelmente, é lamentável que, em pleno século XXI, vejamos essas atitudes no meio evangélico – inclusive de gente que se diz esclarecida com relação às Escrituras. Como disse alguém: “Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa”. Traduzindo: Falar é fácil, mas viver são outros quinhentos!
Tomemos muito cuidado com a denominaciolatria. Caso contrário, construiremos, à semelhança dos israelitas no deserto, “um bezerro de ouro” e nos prostraremos diante dele.
Artigo publicado no Gospel Prime.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

MENINA CRISTÃ ENFRENTA BULLYING EM ESCOLA DA TUNÍSIA

Ore pelos cristãos perseguidos na Tunísia (Foto representativa)

“VOCÊ VAI PARA O INFERNO”, É O QUE A PEQUENA TUNISIANA MARYAM, DE 11 ANOS, OUVIU DA COLEGA DE ESCOLA POR SER CRISTÃ
A seleção da Tunísia entrou em campo no último dia 18, segunda-feira, para participar da Copa do Mundo pela quinta vez. Em seu histórico de jogos na Copa do Mundo, a Tunísia teve apenas uma vitória, 2 empates e 5 derrotas. Marcou sete gols e sofreu sete. Sua única vitória foi na partida de estreia em 1978, na Argentina, ao derrotar o México por 3×1. Foi a primeira vitória de um país africano na fase final de uma Copa do Mundo. Além da tímida participação em Copas do Mundo, outra característica marcante da Tunísia é a intolerância com minorias religiosas. O país ocupa a 30ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2018, sendo um dos países onde é mais difícil se viver como cristão.
A pequena Maryam*, de 11 anos, sabe bem disso. Às vezes ela volta da escola chorando. Seus pais são bons ouvintes e tentam confortá-la. Algumas vezes eles a ensinam o que a Bíblia diz sobre perseguição e tempos difíceis que os cristãos atravessam, e também oram com ela. Ela contou a eles que “você vai para o inferno” foi a frase que ouviu da colega Fatima e que ninguém quer falar ou ficar com ela na escola. Maryam é a única cristã da sala. Apesar da pouca idade, já sabe o que significa a perseguição em países no Norte da África.
Mas Maryam sabe também que não é a única cristã que passa por isso. Na igreja, na sala das crianças, ela conversa sobre esse tipo de constrangimento com os amigos cristãos. A igreja é o lugar onde ela sabe que é aceita. E esse é o fator positivo da situação – crianças e jovens cristãos buscam ficar mais juntos. “Eles naturalmente se juntam, pois compartilham os mesmos desafios. Os ministérios da igreja ajudam muito nisso”, diz um pastor do Norte da África. Durante os jogos da Tunísia na Copa, lembre-se de orar pela Igreja Perseguida desse país, onde até mesmo os pequeninos são perseguidos por causa da fé.
*Nome alterado por segurança.